Como o Espiritismo interpreta a Bíblia

O Espiritismo é tido como uma doutrina natural, que pode ou não ser interpretada coo religião. Além de religioso, o Espiritismo tem caráter filosófico e científico.

Como religião, o Espiritismo se considera cristã, pois segue os ensinamentos passados por Jesus.

Contudo, algumas religiões judaico-cristãs contestam essa classificação do Espiritismo, pois, ainda que propague os valores cristãos, a Doutrina Espírita rejeita diversos postulados Bíblicos e teológicos característicos do cristianismo.

Ainda que o Espiritismo considere Jesus como o maior exemplo moral e ético da sociedade, o Espiritismo não concede caráter divino.

Outro ponto que o Espiritismo diverge do Cristianismo, é em relação à Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo). Os espiritas acreditam somente na unicidade e existência de Deus.

O Cristianismo também não vê com bons olhos a reencarnação pregada pelo Espiritismo e a mediunidade que permite a comunicação entre Espíritos encarnados e Espíritos desencarnados.

A Bíblia à luz do Espiritismo

O Evangelho, que é a designação mais comum do Novo Testamento é uma reunião de vários escritos sobre a vida e ensinamentos de Jesus Cristo.

Engana-se quem pensa que o Espiritismo busca contrariar ou reformar o Evangelho. A finalidade desta Doutrina é esclarecer os ensinamentos de Jesus levando em consideração a mentalidade moderna e acontecimentos que são comuns à vida de todos os homens.

Portanto, desde “O Livro dos Espíritos” (1857), que Allan Kardec ao analisar as contradições entre a explicação da Bíblia para a criação do mundo e as explicações científicas, conclui que a Bíblia não é um erro, e sim que os homens se enganaram na interpretação.

Estes preceitos também estão dispostos em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, lançado na França em 1864, que busca preceitos concomitantes com o Espiritismo nos Evangelhos Canônicos, isto é Mateus, Marcos, Lucas e João.

Deve-se reconhecer a natureza profética, isto é, mediúnica da Bíblia, que começa com Moisés (Primeira Revelação), é definida com Jesus (Segunda Revelação) e é encerrada com o Espiritismo (Terceira Revelação).

Entretanto, o conceito de “Revelação”, para o Espiritismo, é diferente das outras religiões. Para os espíritas, a revelação está relacionada com ensinamentos, que pode ser praticado pelos Espíritos, a chamada revelação divina ou pelos homens, a revelação humana. A revelação não pode acontecer através de Deus em pessoa, pois Deus a partir dos Espíritos e de suas leis.

Assim, a Doutrina Espírita compreende que a revelação da Bíblia não pode ser denominada de “palavra de Deus”, pois o que está escrito é a palavra dos Espíritos-Reveladores, sendo estes escritos adequados ao tem em que foram proferidos.

O termo “palavra de Deus” é de origem judaica e foi incorporado pelo Cristianismo para conceder autoridade à Igreja e conceder uma espécie de “poderes mágicos” à leitura da Bíblia.

O Espiritismo não compactua com esta opinião, mas também não condena essa pratica. Cada pessoa deve fazer o que considera como mais adequado, desde que tenha boa intenção.

Para os espíritas, a Bíblia não pode ser considerada a “palavra de Deus”, por se tratar de um conjunto de livros escrito por homens. Desse modo, a Doutrina Espírita ensina a ver a Bíblia como um marco de evolução religiosa da Terra, mas não a vê como sagrada, tal quais outras religiões baseadas no Cristianismo.

 A Bíblia condena o Espiritismo?

Não. A Bíblia não condena o Espiritismo, pelo contrário, os livros da Bíblia são os maiores repositórios de fatos e situações espiritas de toda a bibliografia relacionada à religião.

Assim, a Bíblia confirma o Espiritismo. Um exemplo disso é Samuel que estava atormentando pelo espírito mau e foi aliviado somente com mediunidade de Davi que, com a música afasta o espírito (Samuel 16: 14-23). Esta situação é a típica mediunidade curadora.

A tese que as religiões possuem uma origem mediúnica é provada por pesquisas etnológicas e antropológicas. Em Atos 7:53, Paulo declara que “Vós recebestes a lei por mistérios dos anjos”. Está claro que esses anjos são espíritos reveladores das leis de Deus, como crê o Espiritismo.

Se a Bíblia condenasse o Espiritismo, estaria condenando a si mesmo.

Mesmo assim, muitas seitas religiosas fazem uma campanha feroz contra o Espiritismo, por achar que a mediunidade é coisa do demônio ou por considerar que os espíritas têm medo da Bíblia.

Desse modo, só o conhecimento adquirido com estudo que pode acabar com esses estereótipos em relação ao Espiritismo e as manifestações mediúnicas.